quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

O diabo veste Prada


É interessante como podemos aprender com qualquer coisa que nos cerca se quisermos!
Analisando o filme O diabo veste Prada me deparei com a minha própria realidade e vi que as coisas acontecem por motivos que muitas vezes não conseguimos entender no momento em que estamos passando por eles, mas que depois fazem um sentido e uma diferença enorme.

Vamos à sinopse do filme


Com estilo interiorano e inocente, Andy Sachs (Anne Hathaway) parece ter caído de pára-quedas na cosmopolita e intensa Nova York. Recém-formada na faculdade de jornalismo, ela se muda para a Big Apple ao lado do namorado Nate e sai em busca de um emprego.

Finalmente consegue uma entrevista na badalada revista de moda Runway Magazine, comandada pela impetuosa e obcecada editora Miranda Priestly (Meryl Streep), considerada a Dama de Titânio da moda mundial, ao lado de Ellen.

Mesmo sem nunca ter ouvido falar da revista ou da famosa editora, ela consegue o emprego, em razão de seu "excelente currículo e de seu discurso sobre a ética de trabalho" como afirmado pela própria Miranda Priestly.



Seu estilo, entretanto, é motivo de piada entre os novos colegas de trabalho. Determinada a seguir em frente com o desafio, Andy muda seu visual e se torna uma workaholic nas mãos de sua abominável chefe. Ao mesmo tempo, começa a perceber o quanto está deixando de lado as coisas simples da vida, e se tornando uma "Clacker", apelido que a própria Andy dá à suas colegas de trabalho que cultuam a beleza e a forma física.

REALIDADE

Sempre fui muito dotada de amor, educação e varias coisas e qualidades que seria bom que todo ser humano tivesse. Mais uma coisa me faltava enfrentar a dura realidade desse mundo!

Por zelo eu e minhas irmãs sempre fomos muito bem tratadas pelos nossos pais, posso dizer que esse carinho e dedicação de certa forma até foram sufocante e muito prejudicial para o nosso próprio crescimento diante dessa sociedade fria e calculista.

Com tudo a minha única experiência até meados daquela época onde comecei a trabalhar na igreja era apenas ter sido auxiliar do meu pai em sua empresa de informática, ele me intitulava como seu braço direito. Porém, as coisas não estavam lá muito bem e o mercado tecnológico é um lago cheio de jacarés, onde um morde o outro sem dó e nem perdão. Foi nesse período de crise que fui arrematada na formatura de um curso que estávamos fazendo. Nessa ocasião meu pai foi abordado pelo pastor que lhe pediu aquilo que lhe valia mais, sua própria filha.

Alegando ser um direcionamento de Deus e priorizando a rapidez dos fatos que iriam acontecer, solicitou minha presença como funcionaria da igreja o mais depressa possível. Na época não tínhamos muita maturidade vínhamos do nosso próprio mundinho pessoal, onde éramos apenas nós cinco. Depositamos todas as nossas expectativas, esperanças naquela situação avassaladora que estava tomando conta de nossas vidas. Parecia o paraíso! Mas pena que esse paraíso não tinha ruas de ouro chapiscadas com diamantes.

Entramos de cabeça depositamos nosso corpo, alma e espírito para fazer a obra do Senhor, éramos novos convertidos e estávamos a todo vapor queríamos servir e não mediamos esforços para tal. Pena que não podíamos ver que o ser humano é falho e na maioria das vezes não sabe ser honesto e sincero e quando lhe é dado algo muito precioso ele não sabe dar o real valor, ele simplesmente não se conforma por não ter pago nada por aquilo e trata esse presente como alguma coisa qualquer. Ele também não se conforma somente com os braços ele quer tudo e foi exatamente nesse momento que eu e minha família nos deparamos com a Sra. Miranda Priestly. Uma pessoa que não mede esforços para conseguir o que quer e ser sempre o centro das atenções, com sua casa bem instalada no residencial de Alphaville, seu carro de luxo e suas roupas estonteantes, gosto requintado...



Comparando FILME x REALIDADE

A diferença entre eu e Andy Sachs não é somente o nome, mas o tempo que sua busca pela realidade levou e a minha busca pela minha própria realidade. Andy Sachs demorou apenas 1 ano para ver que estava saindo de sua orientação pessoal, ou seja, deixando os seus próprios princípios em prol de algo simplesmente egocêntrico. Eu levei 4 anos para perceber que muito conhecimento e pouca prática não valem de nada.

Andy Sachs estava se tornando uma pessoa fria e totalmente calculista ela estava muito longe daquilo que era o seu sonho e eu só precisava de gesso para virar santa, minha identidade estava sendo apagada por um ideal irreal. Eu estava me tornando uma pessoa simplesmente funcional, um instrumento perfeito para o marketing daquele lugar.

O grande momento aconteceu quando pude perceber que estava me deixando levar pela realidade do meio que estava inserida e me deixando esquecer da minha própria realidade e da realidade desse mundo. Certo que o mundo não é um bom exemplo de lugar, as pessoas estão cada vez mais pervertidas sexualmente, o divórcio virou carne de segunda (sendo a coisa mais vendida atualmente), os jovens tem se perdido nas drogas, a violência está sendo transmitida em todos os noticiários e o dinheiro se tornou a idolatria da maioria das pessoas. Mas a minha realidade também não era correta, pois não podemos nos isolar do mundo e idealizar algo perfeito sem se machucar ou sem lutar. Essas coisas são fundamentais para o nosso próprio crescimento como pessoas e como indivíduos.


Não acho que erramos em ter caído de pára-quedas naquele lugar, pois foi ali que pudemos enfrentar o mundo. Fomos aperfeiçoados e não poderia ter escolha melhor. Aprendemos a ver o ser humano como um todo em suas facetas, suas máscaras, seus idéias, suas formas de cativar, sua forma de espiritualizar tudo. Foi muito bom ter passado pelo que passamos. Andy Sachs teve sua overdose da moda e eu assim como minha família tive a overdose da espiritualidade.


De todos os males o menor, depois que Andy Sachs saiu daquele universo demasiadamente modástico com seus paetês, cores, brilhos, purpurina... nos saímos do nosso universo demasiadamene espiritualístico com suas paranóias, pode, não pode, rituais.... e caímos na realidade.

O tempo passado não servirá de esquecimento, muito pelo contrário servirá de escola, onde não cometeremos mais os mesmos erros e saberemos onde podemos acertar e caminhar. Assim como Andy Sachs aderiu alguns conselhos de moda para sua nova vida como repórter, porém lançou para trás o exagero que a fazia pecar que faziam parte de todos aqueles atributos da moda. De certo que eu fiz a mesma coisa lancei para trás as coisas que eram demasiadamente exageradas em minha vida pelo fardo espiritual que a mim foi lançado e caminho hoje com um fardo leve e suave que me foi dado por JESUS CRISTO e não por homens.

Hoje eu só espero ouvir o que Andy Sachs ouviu quando foi para sua entrevista a fim de ocupar a vaga de jornalista no jornal de seus sonhos, quando o entrevistador pergunta o que há tinha levado para o trabalho na Runway Magazine e o que ela tinha feito. Ela responde que quando teve a oportunidade de fazer a coisa certa não fez. Ele simplesmente diz:
- “Pois é você deve ter feito a coisa certa, pois quando entrei em contato com a empresa a própria Miranda Priestly respondeu a carta de recomendação. E quando li o fax fiquei surpreso, nela dizia o seguinte. Que você tinha sido a pior decepção dela em todos esses anos e depois de todas que já haviam trabalhado lá. Mas que eu seria um louco e idiota se não te contratasse. Meus parabéns seja bem vinda!”.

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